|
POR QUE A UNIÃO
FRACASSA ?
Decorridos
mais de 90 anos desde a anunciação da Umbanda no plano físico
pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, fato acontecido em 15 de
novembro de 1908, em Neves, Niterói- RJ, muito se tem discorrido e
debatido sobre as várias tentativas frustradas em se unirem os vários
terreiros existentes em torno de diretrizes e metas básicas para
uma maior organização e harmonização do Movimento Umbandista.
Podemos apontar várias causas para o não êxito da tão sonhada
unificação, mas, para nossa tristeza e irresignação, todas elas
têm como fator primeiro o trinômio vaidade-egocentrismo-oportunismo,
o que nos leva a crer que muitas pessoas ainda não estão
preparadas moral e espiritualmente para assumirem missão de tamanha
envergadura.
A divergência começa, pasmem os senhores, pela tentativa de alguns
(são pouquíssimos e sem nenhuma expressão) em não reconhecerem a
Umbanda como religião genuinamente brasileira e negarem o Caboclo
das Sete Encruzilhadas como sendo o porta-voz da Corrente Astral de
Umbanda (temos conhecimento de pessoas que omitem a terceiros o fato
histórico ocorrido em 1908 por sentimentos e interesses vis).
O que nos deixa perplexos é o fato de que aqueles que negam a
Umbanda como religião brasileira, nunca se dignaram a efetuar um
estudo sério e imparcial sobre o Caboclo das Sete Encruzilhadas,
limitando-se a vociferar entendimentos infundados e inócuos.
Outra divergência é a que diz respeito a quem deverá caber a
liderança de um movimento de unificação. E de novo ficamos de
"cabelos em pé" com algumas criaturas se digladiando para
ostentarem o título de "unificador-mor" da Umbanda. Estes
indivíduos não têm a humildade e a visão de que a Umbanda deverá
estar acima dos interesse pessoais e da vaidade de alguns.
Um pouco mais a diante, nova celeuma. Porque aquele ou aqueles cidadãos
"eleitos" para estarem a frente do processo de organização,
dinamização e concretização do movimento, começam a querer ser
o centro das atenções e os únicos a tomar decisões, não levando
em consideração a opinião e as idéias de outros, que podem ser
melhores para a religião. O resultado disto, todos podem prever.
Outro fator para o insucesso dos vários movimentos de unificação
foi e é o repugnante oportunismo. É que alguns, movidos por idéias
e ideais que só trazem benefícios a seus próprios interesses,
começam a vislumbrar a oportunidade de se valerem do processo de
unificação para galgarem cargos políticos, para se locupletarem
(enriquecimento ilicito), ganharem status etc. Para estes a
finalidade precípua de esclarecer, difundir e enaltecer a Sagrada
Lei de Umbanda, que é o fim único do processo unificatório,
fica em plano secundário, dando lugar a busca de interesses
subjetivos e sem nenhum valor espiritual.
Não obstante termos colocado a mais pura e dolorosaz realidade para
os consecutivos fracassos de unificação dos terreiros, não
devemos desanimar, pois temos a certeza que o plano espiritual está
atento e no momento apropriado congregará irmãos realmente
compromissados com a Umbanda, a fim de tomar para si a espinhosa porém
valorosa missão de unificação dos umbandistas.
Preciso é que todos tenham consciência de que inexoravelmente as
pessoas passam e que o maior legado que podem deixar para os
umbandistas do futuro é um movimento forte, coeso e fraternizado.
Irmãos, o importante é servir a religião e não se servir dela.
Fonte
e Autorização: (Jornal
Umbanda Hoje, Edição 09
Editor - Marco V. V. Pellizer) |