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História dos oráculos

História dos oráculos (5)

HISTÓRIA DE IFÁ

Orumilá, Ifá ou Ifá-Orumilá, a divindade oracular dos iorubás, é respeitado por sua sabedoria. As palavras Ifá-Orumilá e Orumilá designam a divindade, enquanto Ifá designa, simultaneamente, a divindade e o sistema divinatório a ela associado. Òrúnmìlà forma-se da contração de órun-l'ó-mo-à-ti-là (somente o céu conhece os meios de libertação), ou de órun-mo-olà (somente o céu pode libertar). Ifá, por sua vez, tem por raiz fa (acumular, abraçar, conter), indicando que todo o conhecimento tradicional iorubá acha-se contido no corpus literário de Ifá, ou Odù Corpus. Seus principais símbolos são ikin (sementes de palmeira), òpèlè (a corrente divinatória, de uso privativo de seus sacerdotes, feita com oito metades da semente sagrada de mesmo nome), óta (pedra de assentamento), ìrùkèrè (cauda de animal que, após preparo artesanal e mágico, é carregada por sacerdotes e reis como sinal de realeza e poder), obi, orobô, búzios e pedaços de presa de elefante gravados, que ficam guardados em um receptáculo colocado em lugar alto, num canto ou no centro do cômodo. Seus colares e pulseiras são confeccionados alternando-se contas de cor verde e marrom. Para orientar os que o procuram, o sacerdote de Ifá, chamado bàbáláwo (babalaô, pai do segredo), reporta-se ao Odù Corpus, conjunto riquíssimo de conhecimentos esotéricos e registros históricos da milenar tradição iorubá. Utiliza-se de sementes de ikin ou da corrente òpèlè, cuja configuração geomântica remete a um dos 256 odus lá contidos, cujos itan (narrativas míticas) estabelecem analogias entre a situação das personagens e trajetória existencial do consulente. Ifá compreende todos os idiomas da terra, o que lhe possibilita aconselhar todos os seres humanos, sem exceção. O corpus literário de Ifá guarda a história dos orixás e o ensinamento de curas através do uso de ervas. Por isso seus sacerdotes devem conhecer, além da prática divinatória, o preparo de remédios. Orumilá tem por irmão mais novo Ossaim, a divindade da cura, de cujo auxílio serve-se desde os primórdios. No jogo oracular, Exu é divindade particularmente importante, dada a sua relação estreita de amizade com Ifá. Indivíduos de várias origens têm procurado iniciações em Ifá, tanto em território africano quanto nos países da diáspora. Esta prática é altamente recomendável, pois esta iniciação, em particular, marca seu ingresso formal na Religião Tradicional Iorubá. Além disso, em tal circunstância revela-se o odu de nascimento de cada pessoa, que indica o seu destino na terra. As regras que o babalaô obedece incluem não se aproveitar das próprias prerrogativas. Como possui amplos e profundos conhecimentos é procurado por muitas pessoas, algumas em situação de crise, fragilizadas pelas circunstâncias difíceis que enfrentam, mergulhadas num sofrimento do qual querem escapar, literalmente, a qualquer preço – e isto favorece o abuso de poder. Entretanto, recebe a advertência de não agir em benefício próprio. Entende-se que o grande privilégio e a grande riqueza do sacerdote de Orumilá reside na oportunidade de estar a seu serviço. Este itan do Odu Ofu-Ose, narrado ao Babá King pelo venerável Babalaô Fabunmi Sowunmi, elucida a esse respeito:

 

 

Eni to ba puro

Iro a pa

Eni ti o ba seke

Eke a ke won lowo

A ke wån lese

A ti won si gburugburu ona oun

Awon lo se ifa fun ajangurumale

Ti nse oluwo lode orun

Gbogbo eni ti o ba

Nfi suru pe suru

Ajangurumale ifa

Ni yoo ja won sorun

Gbogbo eni ti o ba

Nfi suru pe suru

Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun

E ma fi oku pe aye

E ma fi aye pe oku

Eni ti o ba fi oku pe aye

Eni ti o ba fi aye pe oku

Ajangurumale ifa ni yoo ja won sorun

Ajangurumale

E ma fi abiyamo pe agan

E ma fi agan pe oyibi

Eni ti o ba fi abiyamo pe agan

Ti o fi agan pe oyibi

Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun.

   

Aquele que mente será destruído pela mentira Aquele que provoca discórdia será destruído pela discórdia. A falsidade despojará o falso da força vital de que dispõe. A falsidade destruirá os falsos. Foram eles que adivinharam para Ajagunmale (Ifá), sábio supremo no orun. Todos aqueles que trocam a verdade pela mentira serão levados para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem o morto de vivo, nem chamem o vivo de morto Quem chama o morto de vivo ou chama o vivo de morto será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem uma mulher fértil de estéril, nem chamem uma mulher estéril de fértil Quem chama uma mulher fértil de estéril ou chama uma mulher estéril de fértil será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem o preto de branco, nem chamem o branco de preto Quem chama o preto de branco ou chama o branco de preto, será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Orunmilá diz que prefere matar o babalaô que mente para quem o procura em busca da verdade e colocar em seu lugar um homem ignorante a respeito da complexa sabedoria de Ifá Orunmilá prefere um homem que não conhece a sabedoria de Ifá do que um grande conhecedor dessa sabedoria que seja falso e mentiroso.

 

 

Domingo, 05 Agosto 2018 16:44 Escrito por

HISTÓRIA DA CAFEOMANCIA

Entrar no mundo da leitura da borra de café é introduzir-se no mundo mágico dos aromas, dos símbolos, da cultura do café que nos leva desde lendas, história e agricultura até o mais profundo de nosso inconsciente. A cultura do café indica um ponto de partida histórico no desenvolvimento da economia e na modificação do cotidiano de muitos países.E quando bebemos uma xicara de café, além do equilíbrio dos quatro elementos: fogo, água, ar e terra, cada xicara de café contém o cuidado e a eficácia de todos os processos pelo qual o café passa. Em cada leitura da borra de café nos encontramos de frente com um universo pessoal único e simbólico onde passado, presente e futuro são desenhados para dar passo á transformação interna fundamental para lidar com todo aquilo que nos desafia. Muitas linguagens estão contidas na borra de café: a dos números, das letras, dos símbolos geométricos, das figuras humanas, dos símbolos astrológicos, das figuras de animais e também das flores, entre tantas outras linguagens simbólicas que poderia mencionar aqui. As imagens desenhadas na borra de café lembram muitas vezes (e isto nem sempre) a símbolos que encontramos nas lâminas do tarô. Numa xicara, por exemplo, podemos ver grandes vazios e penhascos similares á lâmina do Louco do tarô tradicional ou do tarô White. Então ante este aspecto simbólico, o nosso consulente pode estar numa fase de incertezas, começando algo novo ou finalizando algo e seja qual for destas situações orientamos para á prudência, para avaliar antes de dar qualquer passo, ou bem para organizar o “caos” interno deixando de lado a impulsividade abrindo passo á reflexão. Deuses e deusas de diferentes mitologias também podem se apresentar. Shiva, Buda, Sheila Na Gig, as que você conheça e possa identificar! Símbolos cotidianos são muito freqüentes, como chaves, colheres, cadeiras, entre tantas outras. Sabemos que todos os oráculos mostram um caminho e nos ajuda a ver uma mesma situação desde outros pontos de vista. Geralmente quem consulta qualquer oráculo, está cheio de inquietudes, dúvidas, esperanças e temores. Na maioria dos casos as pessoas acreditam que a leitura da borra de café irá apenas “falar” do futuro, de aquilo que está por vir. Posso dizer que não é assim. Sentenciar uma situação qualquer, limita o ser humano em relação ao seu livre arbítrio e cria expectativas que geram ansiedade e até imobilidade e na maioria dos casos não ajuda em nada e sim atrapalha a inteligência emocional comprometida pelo excesso da ilusão. Podemos ajudar a sonhar, mas nunca vender sonhos.

Domingo, 05 Agosto 2018 16:24 Escrito por

HISTÓRIA DA RUNAS

Apesar das notáveis diferenças existentes entre as culturas dos povos da Terra, é no mínimo curioso observar que todas elas, praticamente sem exceção, criaram algum tipo de oráculo. Desde o I Ching do extremo Oriente até os oráculos xamânicos indígenas, passando pelo jogo de búzios da cultura africana e pelo famoso Tarot, de origem desconhecida, sempre encontraremos tentativas de consultar o que os símbolos têm a dizer sobre nós e sobre nosso futuro possível. Um dos mais fascinantes sistemas oraculares é o alfabeto rúnico, de origem germânica, também conhecido como Runas, que consiste numa quantidade imensa de letras impressas em pedras cujo sorteio, conforme reza a tradição, permite aconselhamentos, esclarecimentos e previsões. Tecnicamente falando, não existe oráculo mais eficiente ou menos eficiente. O que existe são sistemas oraculares com os quais nos identificamos mais ou menos. Algumas pessoas se sentem mais atraídas pelo Tarot, outras preferem a geomancia, muitas gostam dos búzios, mas o padrão do gosto, aqui, não significa que um determinado oráculo seja “melhor”. No caso das Runas, muitas pessoas sequer sabem que este oráculo existe e, quando o descobrem, apaixonam-se. As Runas mais difundidas no Brasil são de um tipo específico chamado “Futhark antigo”. Este é o mesmo tipo de sistema rúnico utilizado no serviço “Runas e Vida Profissional” do Personare. Trata-se de um sistema composto por vinte e quatro símbolos que se dividem em três famílias (também chamadas de “Aett”). As Runas, assim como diversos outros oráculos, não são apenas uma técnica de previsão do futuro. São, também, um alfabeto. Cada “letra” rúnica tem um significado específico que pode ser utilizado para responder a perguntas das mais diversas naturezas, fornecer conselhos variados e indicar caminhos e posturas mais adequadas para determinadas circunstâncias. Particularmente, sempre me voltei mais para o estudo e aplicação do Tarot, mas quando nos envolvemos com o estudo dos oráculos terminamos nos atraindo por outros sistemas não apenas por uma natural curiosidade, como também pela fascinante percepção de pontos em comum entre diferentes sistemas. Quando as Runas surgiram em minha vida, lá pelos idos dos anos 90, fascinaram-me não apenas pela clareza de seus significados como também pela beleza de toda a mitologia que envolve a história deste oráculo milenar. Vale salientar que muitos utilizam as Runas não apenas como um oráculo, mas também como símbolos de proteção, talismãs e letras de poder. Há rituais específicos praticados por estudiosos, e a pesquisadora Mirella Faur descreve alguns em seu livro “Mistérios Nórdicos”, obra que considero a “bíblia” das Runas, de leitura imprescindível tanto para estudiosos avançados quanto para iniciantes no mistério do oráculo nórdico. Trata-se da obra mais completa em língua portuguesa, quiçá em todo o mundo, sobre este antigo oráculo.

 

Fonte: Personare

Quarta-feira, 11 Julho 2018 22:07 Escrito por

HISTÓRIA DO JOGO DE BÚZIOS

Para podermos entender o porque do jogo de búzios devemos retornar ao passado e conhecer um pouco do verdadeiro oráculo de ìfá, pois é neste oráculo que o jogo de búzios, tem sua origem. De acordo com a tradição, Orúnmilá é a divindade do oráculo de Ìfá. Nos contam as lendas, que Òrúnmilá veio ao mundo, enviado por ELEDUNMARE( Deus supremo), para acompanhar e aconselhar ÒRÌSÀ'NLÁ (conhecido no Brasil como Oxalá ) na organização da terra. Enquanto Òrìsà'nlá representava os atributos de Eledunmare na terra, nas funções ligadas a criação; Òrúnmilá é seu representante nos assuntos pertinentes a consciência e sabedoria. Pôr isso o nome ÒRÚNMILÁ, ser uma contração de ÒRÚ-I-O-MO--A-TI-LA, o que significa aproximadamente: "Somente ele que está em todas as dimensões e planos, pode nos orientar". Uma de suas invocações é OKITIBIRI , A-PA-JO-IKU-DA, 'O grande modificador, aquele que altera a data da morte ", seu culto está totalmente ligado a forma de DIVINAÇÃO conhecida como Ìfá, que significa aproximadamente: "Manifestação divina em forma de palavra, na boca do homem original ". Por isso os antigos africanos iorubás, recitarem: ÌFÁ TI JU MÓ MI O WO MI RE / BI O BÁ TI PE MO MI LA I ORO I OWO / BI O BÁ TI PE MO MI LA RI RE. tradução: Ìfá, fixa teus olhos sobre mim e me olhes bem / pois quando tu fixas teus olhos em uma pessoa, ela se torna rica; / pois quando tu fixa teus olhos em uma pessoa, é que ela prospera. Os instrumentos usados no oráculo de ìfá, de onde se originou o jogo de búzios são:1-OPON-ÌFÁ: tabuleiro ritual usado durante a divinação. 2- ÌROFÁ: Bastão de madeira ou marfim, usado para " chamar" ìfá. 3-ÌKÍN: coquinho de dendê, fetiche de Òrúnmilá. São usados em numero de dezesseis. 4YEROSUN: Pó divinátorio usado no opon-ìfá. 5- OPELE-ÌFÁ: dispositivo auxiliar que representa a corrente mística que une o Òrún (espaço) ao Wayè (terra). 6- OLORÍ-ÌKÍN: "Vigia do jogo ", o décimo - sétimo ìkín representando Èsú. 7- AJÈ- ÌFÁ: Anel composto por dezesseis búzios aonde fica " sentado" o olorí-ìkín e vários outros instrumentos. A origem do merindinlogum, vem exatamente do desmenbramento do ajè-ìfá , anel de 16 búzios, aonde fica o olorí -ìkín (vigia do jogo ), simbolizando Èsú. Por isso é que somente Èsú "fala " pelo jogo de búzios, sendo a "fala" de Òrúnmilá exclusiva, através do Oráculo de Ìfá. Ìfá era em sua prática, somente permitido aos homens, sendo o jogo de búzios em sua origem, destinado as mulheres, filhas de Òsún e nascidas no odu ÈJÌOGBÈ MEJI (em Ifé), tornando-se assim, Yapetebí de ìfá, " esposa de ìfá". Este fato se deve, por ser Òsún, mãe de ÀSÉTÚWÁ, personagem místico, o qual os Odus ÒSÉ E ÒTÚRÁ fizeram nascer; sendo extremamente ligado a Èsú. ( por ser Òséòturá, o único Odu capaz de levar as oferendas até Eledunmare, por intermédio de Èsú.). Está é uma parte resumida, da origem histórica do jogo de búzios, uma forma de oráculo, destinado somente as mulheres dentro da tradição do ìfá. No Brasil por terem sido mulheres as grandes fundadoras do culto aos Orisàs , o jogo de búzios se difundiu indiscriminadamente, sendo tanto homens, como0 mulheres dos mais variados Orisàs, a jogarem búzios. Isto não é errado, somente uma distorção do culto de origem, causada pela forma como o culto aos Orisàs chegou ao Brasil . ATRAVÉS DA ESCRAVIDÃO !

Quarta-feira, 11 Julho 2018 22:06 Escrito por

HISTÓRIA DO TARÔ

Não se sabe ao certo a origem das cartas do baralho tradicional. Nem se pode afirmar, com certeza, se o conjunto dos 22 trunfos ou Arcanos Maiores – com seus desenhos emblemáticos – e as muito bem conhecidas 56 cartas dos chamados Arcanos Menores – com seus quatro naipes – foram criados separadamente e mais tarde combinados num único baralho, ou se, desde seu nascimento, tiveram a forma de um baralho de setenta e oito cartas.

Tudo indica que as 56 cartas do baralho comum foram copiadas do jogo difundido entre os guerreiros mamelucos. Os autores da adição das 22 cartas, hoje denominadas "arcanos maiores" entre os tarólogos, permanecem desconhecidos.

Existe, no entanto, um ponto de concordância entre a maior parte dos estudiosos: raros imaginam que se trataria de alguma manifestação ingênua de “cultura popular” ou de “folclore”. Ao contrário, a abstração das 40 cartas numeradas, bem como as evocações simbólicas dos trunfos, permitem associações surpreendentes com inúmeras outras linguagens simbólicas. Sugerem uma produção muito bem elaborada, um trabalho de Escola. A maior parte dos estudiosos considera os 22 trunfos – atualmente denominados "arcanos maiores" – uma criação do norte da Itália, como atestam as cartas do Tarot Visconti Sforza.

Já as dúvidas aparecem quando se trata do conjunto das cartas numeradas – atualmente conhecidas por "arcanos menores" ou "baralho comum" –, que teriam sido levadas pelos gurreiros mamelucos à Europa durante a Idade Média. Existem menções às "cartas sarracenas" em registros do séc. 14. Anteriores às lâminas apresentadas acima, encontramos apenas referências a um “jogo de cartas”. É bastante citado, nos estudos de Tarô, o relato de Johannes, monge alemão de Brefeld, Suíça: “um jogo chamado jogo de cartas Ás de Espada no Mamlûk Tarot, ou baralho sarraceno (ludus cartarum) chegou até nós neste ano de 1377”, mas declara expressamente não saber “em que época, onde e por quem esse jogo havia sido inventado”. Sobre as cartas utilizadas, diz que os homens “pintam as cartas de maneiras diferentes, e jogam com elas de um modo ou de outro. Quanto à forma comum, e ao modo como chegaram até nós, quatro reis são pintados em quatro cartas, cada um deles sentado num trono real e segurando um símbolo em sua mão”.

Há outra menção, ainda no século XIV, embora não tenha restado exemplar algum das referidas cartas: nos livros de contabilidade de Charles Poupart, tesoureiro de Carlos IV, da França, existe uma passagem que declara que três baralhos em dourado e variegadamente ornamentados foram pintados por Jacquemin Gringonneur, em 1392, para divertimento do rei da França.